Kasabian e seu hospício sonoro

Quando ouvi Kasabian pela primeira vez, pensei logo que se tratava de mais uma hype inglesa já que, desde o Oasis, o Reino Unido não se conformava apenas com o Arctic Monkeys como mais uma proeza. A música que não parava de tocar nos circuitos independentes era Club Foot que logo se transformou em um monstro das rádios. Bastou Noel Gallagher dizer “Fudeu…superar isso vai ser complicado” quando ouviu a canção para chamar o Kasabian para abrir os shows da turne de 2004. Exagero do Noel? Com certeza! O Oasis tem composições anos luz à frente do Kasabian, o que não tira nenhum crédito dessa banda completamente psicodélica. “Kasabian” é o sobrenome de uma das loucas seguidoras de Charles Manson que foram responsáveis pelo assassinato de Sharon Tate. A banda disse que gostou da sonoridade da palavra. Então tá…

Depois que Club Foot cansou os ouvidos de muitos, canções menos audaciosas do Kasabian começaram a circular nos mais diversos sites de rádios online. Algumas músicas em específico me fizeram pensar: “Putz, Stone Roses ressuscitou!“. Como sempre fui fã incondicional do Stone Roses, que soube muito bem misturar o rock psicodélico com um dedo no eletrônico, decidi conhecer mais o Kasabian. Para minha completa surpresa, o disco de estreia homônimo é sensacional e vai a fundo camadas e mais camadas de qualidade além do single Club Foot. O disco inteiro parece mais uma colagem de ideias inusitadas de acordes e samplers esquisitos e minimalistas que, apesar dessa descrição nada animadora, funcionam muito bem. Algo que só duas mentes completamente submersas em cerveja (e ocasionalmente um papelote de LSD) conseguiriam tornar possível. Todas as composições (letras e músicas) são creditadas ao vocalista Tom Meighan e ao DJ multi-instrumentista Sergio Pizzorno. Poucas bandas conseguem, ao mesmo tempo, entender o que significa fazer plateias dançar e bater cabeça e criar músicas íntegras com muita alma e algum nível de originalidade.

As canções do primeiro álbum conseguem ser íntimas e épicas (um feito raro atualmente), parecem sair de uma torcida de futebol e terminam a jornada em uma viagem psicotrópica. Entre canções instigadoras e interlúdios chapantes, as músicas do Kasabian são entrelaçadas em tantos detalhes sonoros que a cada rodada você percebe algo novo. Sem deixar a bola cair, a banda conseguiu manter a qualidade nos próximos 2 álbuns: Empire consegue uma cria entre Chemical Brothers e Rolling Stones e West Ryder Pauper Lunatic Asylum mistura eletrônica e baladas acústicas com filmes de horror. Loucuras à parte, Kasabian mantém a veia do rock pulsando freneticamente enquanto a psicodelia das letras intoxicam a criatividade de qualquer ouvinte, criando cenas absurdas e melodias inspiradoras. Com letras como “John was a scientist, he was hooked on LSD / Interested in mind control and how the monkey held the key / Said that ‘all life is experiments somebody’s planning for the heir’ / It’s for the unexpected citizens who hallucinate in fear” não dá pra errar!

Já me pediram para definir o Kasabian em uma palavra: O melhor que consegui foi “Loucura”. Como diria David Byrne: “STOP MAKING SENSE!”. Essa parece ser a proposta. Nada mais apropriado para um grupo de ingleses alcoólatras viciados em futebol e LSD, que não respondem pelos seus atos (e nem se explicam) e gravam seus álbuns em fazendas de porcos. Kasabian dificilmente vai lançar algo que agrada só um tipo de plateia. Assim como o temperamento oscilante das canções, os caras estão destinados à evolução constante.

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Descobrindo Midlake…

Em 2000, cinco estudantes de jazz clássico da Escola de Música do Texas se juntaram para uma jam session despretensiosa quando perceberam que, sem tentar demais, o som que emanava dos amplificadores era um pouco mais ousado e setentista do que o esperado. Mais surpreso ainda ficaram quando Tim Smith (guitarra, vocal e teclado) começou a recitar poemas de acordo com a sonoridade que ali estava sendo criada. Impressionados com o resultado, começaram a tocar em bares e coffe shops do Texas e assim nasceu o Midlake. Nem precisa contar o resto da história. Se não fosse meu amigo Cássio, nunca teria ouvido falar dessa banda. Antes tarde do que nunca….

Midlake

O Midlake é o que eu chamaria uma cria perfeita entre Neil Young e o America (A Horse With No Name lembra?). Melhor do que copiar o estilo folk dos trovadores dos anos 70 e jogar guitarras clássicas em cima dos violões, o quinteto preferiu ser influenciado pelos instintos da primeira jam, mesmo que a essência da criação não permaneça em apenas um rótulo. Para explicar melhor, o Midlake produziu um dos discos de folk rock progressivo mais impressionantes da década dos anos 70 que não foi feito na época, sacou? The Trials of Van Occupanther é tão excelente em suas composições (tanto as letras quanto as músicas) que se tornou um dos meus top 10 álbuns.

 O interessante é que, como cada um dos integrantes são formados em Jazz e tem conhecimento de escalas complicadíssimas e das melodias mais complexas, decidiram fazer um som que não chega a ser minimalista, mas sincero e, por falta de uma expressão mais adequada, humano. Smith tem o tipo de voz que invoca gênios como Jeff Buckley e Rufus Wainwright, mas sem forçar demais, mantendo a sutileza de uma experiência íntima com o disco. A muito tempo não ouço uma voz tão honesta e melancólica que em parceria com Eric Pulido (também guitarra, vocal e teclado), soa tão bem quanto os instrumentos. Um belo exemplo dessa harmonia vocal é “Roscoe” (o clip revela bem o espírito da banda):

 

Esse é o tipo de disco que se coloca para ouvir em uma roadtrip, daquelas que todos deveriam fazer pelo menos uma vez na vida enquanto as letras de The Trials of Van Occupanther revelam e identificam faces da consciência humana. Mais uma banda que vou ficar sempre de olho para futuras perfeições sonoras como essa. Valeu Cássio!

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The Last Shadow Puppets e o fator Scott Walker

The Age of Understatement é inspirado nas composições sensacionais de Scott Walker com uma sonoridade mais ácida pesando para o lado de David Bowie. Alex Turner (Arctic Monkeys) e Miles Kane (The Rascals )começaram a compor várias canções nos bastidores da turnê que as duas bandas fizeram juntas em 2007 e, satisfeitos com os resultados da brincadeira, resolveram ir à Franca e gravar essas pequenas composições. Para dar um ar mais clássico nas faixas previamente baseadas em violão e voz, foi contratada a Orquestra Metropolitana de Londres (é aqui que entra toda a influencia dos discos do Scott Walker) que foi decisiva em transformar este disco em um pequeno tesouro.

 The Last Shadow Puppets é um projeto bem mais ambicioso que as bandas principais dos dois músicos. Com muita qualidade, essas 12 canções conseguem revitalizar a sonoridade exuberante do “pop” sinfônico que Scott Walker fez em seus primeiros 4 discos. Já na primeira faixa fica claro que, ao trazer a Orquestra Metropolitana de Londres, conseguiram conquistar aquela musicalidade solta e artística do Reino Unido no final dos anos 60. É como ouvir um disco daquele período com um grande update: as vozes de Turner e Kane. Não são suaves e elaboradas como as de David Bowie e Scott Walker, são despretensiosas, harmoniosas e até um pouco infantil, o que separa o disco de algo cafona. Turner e Kane mantêm suas vozes um pouco mais recatadas em comparação com suas bandas originais, o que faz a dupla parecerem irmãos.

Cada vez que o drama das letras ameaça a se tornar algo muito monótono a dupla muda o tom do álbum com composições mais pesadas como “I Don’t Like You Anymore” que lembra bem o timbre mais rígido do Arctic Monkeys. Apesar de toda seriedade em cada aspecto do projeto, existe uma leveza distinta: as músicas são curtas o suficiente para não se cansar delas, mas são artísticas e satisfatórias o bastante para se tornar parte da sua coleção de discos que você, em um momento ou outro, sempre vai tirar da prateleira para ouvir.

Kane & Turner

 Para um disco gravado em duas semanas que é praticamente uma brincadeira e homenagem aos seus ídolos dos anos 60, The Last Shadow Puppets é uma conquista para se tirar o chapéu, uma reencarnação de uma linguagem musical atualmente arcaica. Existem rumores de que Noel Gallagher e Paul Weller estão gravando um disco juntos e uma coisa é certa: Os dois vão ter que trabalhar muito bem nas composições e arranjos dessa suposta parceria para chegar perto de The Age Of Understatement.

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The Verve: Uma Tempestade no Céu

Quando o assunto é The Verve geralmente alguém fala sobre Bittersweet Symphony. Quando não sabem nem o nome da música, dizem algo tipo “Ah! Aquele clip com o magrelo de jaqueta de couro que sai andando e esbarrando em todo mundo né?”. Alguém que conhece um pouquinho mais a banda, vai falar sobre Lucky Man que, de fato, é uma canção sensacional. Na verdade, o Verve já tinha seu merecido lugar na história da música em 1993 quando lançaram A Storm In Heaven, álbum que comprei só em 96 por uma indicação do Cláudio, dono da extinta Sounds Music na 310 Norte em Brasília, que era familiar com meu gosto por “rock esquisito” como ele mesmo dizia.

A Storm In Heaven

 A Storm In Heaven é um disco completamente diferente do que se espera de uma banda de rock inglesa. 80% das gravações são banhadas por camadas e mais camadas de reverbs e delays, usados tanto na voz de Ashcroft quanto na guitarra de McCabe, criando um efeito psicodélico completamente desorientador para o ouvinte. A sensação de estar sendo hipnotizado é proposital, literalmente nos perdemos na música. Para dar mais profundidade às camadas sonoras, foi adicionado com muita sutileza instrumentos como flautas, trompetes e saxofones. Todas as composições passam um momento ou outro por mudanças de temperamento quando menos esperamos. Faixas inteiras parecem ser introduções para a próxima, criando uma fluência entre todos os temas do álbum. Um verdadeiro exercício de versatilidade. As músicas em A Storm In Heaven parecem uma entidade que flutua pelo espaço visitando o cérebro de um paciente em coma. Uma ventania de atmosferas.

Junto com Johnny Marr do Smiths, Nick McCabe é provavelmente um dos guitarristas mais subestimados do rock inglês dos anos 90. Como ninguém, McCabe sabe misturar psicodelia e experimentalismo em riffs tão belos quanto originais. Um exemplo perfeito da genialidade de McCabe é a perfeita Gravity Grave (infelizmente só rolou de colocar um video ao vivo):

O álbum inteiro foi gravado em um estúdio improvisado dentro de um calabouço/taverna onde os integrantes saíram só depois que as faixas estavam completas. Nada me atrai mais em uma banda do que esse amor e compromisso com a música que esta sendo criada e, se os futuros sucessos menos experimentais do Verve atingiu platéias do mainstream pelo mundo inteiro, foi simplesmente pela genialidade e força óssea das composições de A Storm In Heaven, que provaram que a banda tinha credibilidade o suficiente para crescer sem perder a veia criativa. Álbum indispensável a todo amante da boa música.

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Sessões no Deserto

Eu reclamo bastante de que as revistas musicais da atualidade não dão o valor merecido a muitas bandas de talento assombroso. Reclamo que sempre valorizam mais a popularidade do que a qualidade. Mas na verdade, eu prefiro assim. As bandas realmente boas e atemporais são aquelas que você batalha para descobrir. E quando você descobre, você não larga por nada.

Depois que o Grunge deu um murro merecido em toda aquela babaquice sonora do final dos anos 80, não houve nenhum movimento musical que tenha causado impacto importante o suficiente no cenário mundial. Um movimento em específico tinha força, qualidade e acessibilidade para mudar tudo da mesma forma que as bandas de Seattle fizeram, mas quase acabou e o mundo ainda não tomou conhecimento.

Josh e alguns dos músicos convidados para as "generator partys"

Josh Homme do Queens Of The Stone Age é hoje um dos donos do famoso Rancho De La Luna (Califórnia) que serviu também de estúdio para as gravações do Desert Sessions. Essas gravações são frutos de festas bizarras que aconteciam nesse local. O rancho conta com uma variedade absurda de equipamentos extremamente raros e únicos que Homme coleciona desde os primórdios do Kyuss. As festas aconteciam no período de uma semana e contava com a cena alternativa em peso. Músicos como Brant Bjork, PJ Harvey, Jeordie White, Dave Catching, Nick Oliveri, Mark Lanegan, John McBain, Ben Shepherd, Josh Freese, Chris Goss, Alain Johannes, Troy Van Leeuwen, Karl Doyle e Dean Ween estavam sempre presentes nas sessões alimentadas por dois geradores alugados. Com tantos músicos e equipamentos por perto, Homme decidiu começar a gravar as pequenas jams que viriam a ser conhecidas como “As sessões no deserto“. Apenas uma regra existia: as músicas devem ser tocadas, escritas e gravadas na hora. Tudo alimentado por vinho, maconha, LSD e cogumelos.

Psicodelias a parte, Desert Sessions é mais do que uma coletânea infinita de músicas criadas nas festas memoráveis do Rancho De La Luna. Eram verdadeiras obras sonoras criadas pelo estado de consciência dos músicos sob o céu infinito do deserto californiano. O grande destaque é que eram músicas acessíveis o suficiente para as rádios de rock e tinham o potencial certo para lavar o cenário musical das bandinhas de plástico. São canções feitas pelo simples prazer de tocar com amigos. Inúmeras músicas dessas sessões viraram grandes sucessos mundiais do Queens Of The Stone Age. De 1997 à 2003 foram lançados 10 volumes dessas verdadeiras pérolas.

Desde 2003 nenhuma sessão foi organizada no rancho. Mas como Josh Homme mesmo disse em 2009: “Nunca vai acabar, vai ser a maior coletânea de blues e rock de todos os tempos”. Fica a nossa esperança de que esse impulso musical continue a espalhar essas preciosas jóias sonoras, mesmo que underground.

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Jane’s Addiction: bohemia, espiritualismo e paganismo.

**Esse é um post que já havia publicado no 4naipes,  mas a banda é de grande importância para mim. Após algumas correções e alterações, resolvi integra-lo como parte do Overdose Contínua também.**

Com muito orgulho digo escuto esses caras desde 1993 e afirmo que o Jane’s Addiction conseguiu, como nenhuma outra banda, seguir a trilha do Led Zeppelin misturando misticismo, bohemia e rock/metal no final dos anos 80. Se já existiu algum crossover shamanistico entre Jim Morrison, Robert Plant e Mick Jagger, esse crossover atende pelo nome Perry Farrell. Junto com o enigmático Farrell, Dave Navarro, Eric Avery e Stephen Perkins lideravam a subconsciência utópica mundial, adotando a religião do amor e ao mesmo tempo reconhecendo o lado bizarro de um estilo de vida hedonista.

Com o line up original (acima) lançaram apenas 2 discos de estúdio (o primeiro lançamento mesmo foi um EP ao vivo) que, apesar da genialidade devastadora dos dois álbuns, deixaram o Lollapalooza como o maior impacto cultural dos anos 90, um festival de música “neo-pagão” criado em 1991 por Farrell. Já que mencionei o EP ao vivo do JA, vale a pena conferir a versão sensacional desse clássico do Velvet Underground ou esse aqui dos Rolling Stones.

Nothing’s Shocking (1987), o primeiro álbum de estúdio, já chegou com espírito provocativo com uma capa no mínimo esquisita. Apesar de revelar um lado mais experimental e psicodélico, o disco simplesmente transborda de ataques sonoros, tudo cortesia da guitarra pouquíssima reconhecida e genial de Navarro, a bateria tribal de Perkins e dos riffs de baixo absurdos de Avery. Existe um certo timbre “ensolarado” nas guitarras do álbum em faixas como Ocean Size, mas sem passar perto da mesmice do estilo “feel good” de músicas de praia. É algo literalmente místico. Nothing’s Shocking é , indiscutivelmente, o pronto principal de referência quando o assunto é rock alternativo.

O fim veio com um álbum superior ao primeiro, mas que também selou o fim da banda. Ritual de Lo Habitual (1991) cimentou o sucesso crítico e comercial do quarteto. O álbum começa com essa frase (em espanhol):

“Senhoras e senhores, nós temos mais influência sobre seus filhos que vocês. Mas nós os amamos. Nascidos e criados em Los Angeles, Jane’s Addiction!”

Depois da frase sensacional, o álbum já entra com a excelente e famosa Stop! Da pra imaginar o efeito dessas palavras na cabeça de um pirralho de 12 anos? Eu lembro muito bem, estava andando de skate pela 313 Norte com meu walkman da sony amarelo quando ouvi isso. Lembro que comecei a prestar mais atenção em música e nas letras a partir desse dia. Comecei a sentir uma conecção maior com o artista além das superfícies sonoras. Uma música que mexeu muito com a minha cabeça naquela época foi a bela Three Days, em que Farrell escreve sobre Xiola, uma namorada que faleceu por overdose de heroína.

Infelizmente, todo o louvor épico dessas gravações nunca mais seriam vistas por conta de “tensões internas”. Acho que é o que acontece quando se coloca 4 gênios em um quarto. Como dizem, tudo que é bom, dura o suficiente pra se tornar inesquecível.

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As paisagens sonoras do Oceansize

Vou tentar explicar o som do Oceansize sem mencionar rótulos como post-alternative, post-rock, avant-garde progressivo, alternative rock, space-rock ,etc… Oops. Foi mal. Enfim, o que precisa ser dito, documentado, escrito e repetido por inúmeras décadas é que o Oceansize é simplesmente uma das bandas mais fantásticas da qual você nunca ouviu falar. O grupo decidiu dar fim a sua carreira em 25 de Fevereiro de 2011, sem explicações. Minha única esperança é que muitos ainda descubram os álbuns fantásticos que esses caras lançaram.

Oceansize foi uma das obscuras bandas inglesas que construíram sua modesta reputação em torno da incontestável habilidade em criar uma paisagem sonora épica, sensível e taciturna. Suas influências são tão variadas quanto as habilidades de cada um de seus instrumentistas, seja de Pink Floyd à Tool ou de My Bloody Valentine à Smashing Pumpkins visitando o Jane’s Addiction (O nome da banda foi tirada da primeira faixa de Nothing’s Shocking do Jane’s Addiction). A noção da capacidade em potencial que cada canção pode ter é explorada sem limites pelos membros do Oceansize. Dependendo da música, em vez de 2 guitarras, 4 guitarras são usadas. Quando necessário, 2 baterias e um piano estão presentes. Isso tudo não para dar força as canções mas para colaborar com o efeito de grandeza e amplitude das composições. As letras são cantadas de forma a realçar a tonalidade das guitarras. É o tipo de música que deixa você nas pontas dos pés tentando adivinhar o que vem pela frente. Realmente fascinante.


Para começar a explorar melhor a banda, o álbum Frames é a melhor dica. Junto com títulos de músicas ridiculamente crípticos, melodias que nunca descansam em um único molde, letras fortes (“During the laceration/All you wanna do is cry/At last that realization/How quickly fresh blood dries“) e de significados dúbios (“The latest attempt at closure/Failed after 25 drafts/But I can still retain this/I can still collect“), o disco resume muito bem todas as facetas sonoras da banda. Não é o tipo de música que se escuta por acaso no carro ou caminhando. Cada composição, cada letra e cada nota foram escritas para serem apreciadas em silêncio, sem movimento e de preferência, sozinho no escuro. Fica a dica do épico An Old Friend of the Christy’s com 10 minutos de duração. Em alguns momentos a banda passa pelos ambientes mais pesados do rock, mas não é a regra e sim uma simples exceção para elevar o poder de uma certa frase em uma canção ou outra.

Frames é um álbum sensacional que, pra quem se interessou, aconselho conferir. De qualquer forma, escolhi mostrar aqui a perfeita Commemorative 9/11 T-Shirt desse álbum. Começa bem devagar (as letras entram apenas aos 3:30), criando todo um clima para se transformar em um verdadeiro cenário infinito:

O interesse do grupo nunca foi de fazer seus ouvintes pular e cantar junto e sim, criar paisagens para seus sonhos. Uma trilha sonora para um desenho ou um conto bizarro. Uma pena o fim dessa banda tão perfeita quanto subestimada. Mas os 5 álbuns que deixaram para trás são atemporais e inesquecíveis mesmo que, por agora, ainda não foram devidamente descobertos. Tentei aqui fazer minha parte em divulgar esse verdadeiro tesouro e espero que consigam sentir o que eu sinto com essa banda.

“I check your heart and it still makes a hissing sound, it’s just another name for sorcery. We still believe in what we never see”

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