The Verve: Uma Tempestade no Céu

Quando o assunto é The Verve geralmente alguém fala sobre Bittersweet Symphony. Quando não sabem nem o nome da música, dizem algo tipo “Ah! Aquele clip com o magrelo de jaqueta de couro que sai andando e esbarrando em todo mundo né?”. Alguém que conhece um pouquinho mais a banda, vai falar sobre Lucky Man que, de fato, é uma canção sensacional. Na verdade, o Verve já tinha seu merecido lugar na história da música em 1993 quando lançaram A Storm In Heaven, álbum que comprei só em 96 por uma indicação do Cláudio, dono da extinta Sounds Music na 310 Norte em Brasília, que era familiar com meu gosto por “rock esquisito” como ele mesmo dizia.

A Storm In Heaven

 A Storm In Heaven é um disco completamente diferente do que se espera de uma banda de rock inglesa. 80% das gravações são banhadas por camadas e mais camadas de reverbs e delays, usados tanto na voz de Ashcroft quanto na guitarra de McCabe, criando um efeito psicodélico completamente desorientador para o ouvinte. A sensação de estar sendo hipnotizado é proposital, literalmente nos perdemos na música. Para dar mais profundidade às camadas sonoras, foi adicionado com muita sutileza instrumentos como flautas, trompetes e saxofones. Todas as composições passam um momento ou outro por mudanças de temperamento quando menos esperamos. Faixas inteiras parecem ser introduções para a próxima, criando uma fluência entre todos os temas do álbum. Um verdadeiro exercício de versatilidade. As músicas em A Storm In Heaven parecem uma entidade que flutua pelo espaço visitando o cérebro de um paciente em coma. Uma ventania de atmosferas.

Junto com Johnny Marr do Smiths, Nick McCabe é provavelmente um dos guitarristas mais subestimados do rock inglês dos anos 90. Como ninguém, McCabe sabe misturar psicodelia e experimentalismo em riffs tão belos quanto originais. Um exemplo perfeito da genialidade de McCabe é a perfeita Gravity Grave (infelizmente só rolou de colocar um video ao vivo):

O álbum inteiro foi gravado em um estúdio improvisado dentro de um calabouço/taverna onde os integrantes saíram só depois que as faixas estavam completas. Nada me atrai mais em uma banda do que esse amor e compromisso com a música que esta sendo criada e, se os futuros sucessos menos experimentais do Verve atingiu platéias do mainstream pelo mundo inteiro, foi simplesmente pela genialidade e força óssea das composições de A Storm In Heaven, que provaram que a banda tinha credibilidade o suficiente para crescer sem perder a veia criativa. Álbum indispensável a todo amante da boa música.

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2 respostas para The Verve: Uma Tempestade no Céu

  1. Fabrício disse:

    Interessante seu post. Gosto bastante desse CD, em especial, pela sinceridade em que se apresentam as composições. Você menciona que o comprou pela indicação do Cláudo, da extinta Sounds Music. Pergunto: você também é de Brasília? Grato.

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