Sessões no Deserto

Eu reclamo bastante de que as revistas musicais da atualidade não dão o valor merecido a muitas bandas de talento assombroso. Reclamo que sempre valorizam mais a popularidade do que a qualidade. Mas na verdade, eu prefiro assim. As bandas realmente boas e atemporais são aquelas que você batalha para descobrir. E quando você descobre, você não larga por nada.

Depois que o Grunge deu um murro merecido em toda aquela babaquice sonora do final dos anos 80, não houve nenhum movimento musical que tenha causado impacto importante o suficiente no cenário mundial. Um movimento em específico tinha força, qualidade e acessibilidade para mudar tudo da mesma forma que as bandas de Seattle fizeram, mas quase acabou e o mundo ainda não tomou conhecimento.

Josh e alguns dos músicos convidados para as "generator partys"

Josh Homme do Queens Of The Stone Age é hoje um dos donos do famoso Rancho De La Luna (Califórnia) que serviu também de estúdio para as gravações do Desert Sessions. Essas gravações são frutos de festas bizarras que aconteciam nesse local. O rancho conta com uma variedade absurda de equipamentos extremamente raros e únicos que Homme coleciona desde os primórdios do Kyuss. As festas aconteciam no período de uma semana e contava com a cena alternativa em peso. Músicos como Brant Bjork, PJ Harvey, Jeordie White, Dave Catching, Nick Oliveri, Mark Lanegan, John McBain, Ben Shepherd, Josh Freese, Chris Goss, Alain Johannes, Troy Van Leeuwen, Karl Doyle e Dean Ween estavam sempre presentes nas sessões alimentadas por dois geradores alugados. Com tantos músicos e equipamentos por perto, Homme decidiu começar a gravar as pequenas jams que viriam a ser conhecidas como “As sessões no deserto“. Apenas uma regra existia: as músicas devem ser tocadas, escritas e gravadas na hora. Tudo alimentado por vinho, maconha, LSD e cogumelos.

Psicodelias a parte, Desert Sessions é mais do que uma coletânea infinita de músicas criadas nas festas memoráveis do Rancho De La Luna. Eram verdadeiras obras sonoras criadas pelo estado de consciência dos músicos sob o céu infinito do deserto californiano. O grande destaque é que eram músicas acessíveis o suficiente para as rádios de rock e tinham o potencial certo para lavar o cenário musical das bandinhas de plástico. São canções feitas pelo simples prazer de tocar com amigos. Inúmeras músicas dessas sessões viraram grandes sucessos mundiais do Queens Of The Stone Age. De 1997 à 2003 foram lançados 10 volumes dessas verdadeiras pérolas.

Desde 2003 nenhuma sessão foi organizada no rancho. Mas como Josh Homme mesmo disse em 2009: “Nunca vai acabar, vai ser a maior coletânea de blues e rock de todos os tempos”. Fica a nossa esperança de que esse impulso musical continue a espalhar essas preciosas jóias sonoras, mesmo que underground.

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Uma resposta para Sessões no Deserto

  1. André disse:

    A primeira vez que ouvi o Led Zeppelin foi com a música Stairway to Heaven, em uma coletânea de hits dos anos 70. Eu tinha 12 ou 13 anos e me deparei com aquele belíssimo trabalho de estúdio, uma banda madura, realmente grandiosa e pronta pra ficar escrita no muro da eternidade.

    Mas a primeira vez que REALMENTE ouvi Led Zeppelin foi quando, garimpando as lojas de LPs da cidade (na época só existiam LPs. Alguém sabe o que são LPs?), encontrei o LED ZEPPELIN I, e chegando em casa coloquei a agulha (agulha?) sobre a faixa que me atraiu de cara pelo nome: Dazed and Confused.

    Puta merda! Quatro moleques (o Page tinha 22 anos, se não me engano, o Plant tinha 19!), tocando um rock sincero, sujo, violento e ousado (bizarro, até…), com um som cheio daquele crunch visceral que geralmente permeia os primeiros discos das melhores bandas. Ali o rock do imortal Zepp ficou gravado, tatuado à ferro quente na minha alma.

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    Mas porra, o que tem a ver Led Zeppelin com o tópico “Sessões no Deserto” que o Léo postou?

    Tem tudo a ver, pois o que está implícito no texto do primo, é a importância da espontaneidade, da sinceridade, no momento de criação. Essa vontade primordial de fazer por NECESSIDADE (novamente lembrando o Ferreira Gullar: “A arte existe porque a vida não basta.”) é o que promove os maiores e mais importantes acontecimentos da história da música (e de qualquer outra arte, claro!).

    Tentar manter esse impacto inicial durante toda uma carreira é o motivo de tantos grupos afundarem, pois a naturalidade é tudo no processo composicional.

    Existem tantos grupos que deveriam ficar apenas no primeiro disco! (Por exemplo, se o Them Crooked Vultures – do Josh, do John e do Dave, ficar só em um disco, já estará bom demais!)

    Já ouvi esses trabalhos do Josh e é fenomenal a naturalidade das composições.
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    Olha, se você deseja ter acesso à trabalhos realmente mais profundos do que os que estão nas mídi’ass, dou um conselho: corra por fora, fuce as sombras, procure aquelas canções que não tocam no rádio e que não passam em clipes da mtv. Vá à fonte.
    Algumas vezes, porém, esses trabalhos se infiltram nas paradas de sucesso, como vírus, e ajudam a melhorar o mundo! Putz, viajei! Abraços!

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