Jane’s Addiction: bohemia, espiritualismo e paganismo.

**Esse é um post que já havia publicado no 4naipes,  mas a banda é de grande importância para mim. Após algumas correções e alterações, resolvi integra-lo como parte do Overdose Contínua também.**

Com muito orgulho digo escuto esses caras desde 1993 e afirmo que o Jane’s Addiction conseguiu, como nenhuma outra banda, seguir a trilha do Led Zeppelin misturando misticismo, bohemia e rock/metal no final dos anos 80. Se já existiu algum crossover shamanistico entre Jim Morrison, Robert Plant e Mick Jagger, esse crossover atende pelo nome Perry Farrell. Junto com o enigmático Farrell, Dave Navarro, Eric Avery e Stephen Perkins lideravam a subconsciência utópica mundial, adotando a religião do amor e ao mesmo tempo reconhecendo o lado bizarro de um estilo de vida hedonista.

Com o line up original (acima) lançaram apenas 2 discos de estúdio (o primeiro lançamento mesmo foi um EP ao vivo) que, apesar da genialidade devastadora dos dois álbuns, deixaram o Lollapalooza como o maior impacto cultural dos anos 90, um festival de música “neo-pagão” criado em 1991 por Farrell. Já que mencionei o EP ao vivo do JA, vale a pena conferir a versão sensacional desse clássico do Velvet Underground ou esse aqui dos Rolling Stones.

Nothing’s Shocking (1987), o primeiro álbum de estúdio, já chegou com espírito provocativo com uma capa no mínimo esquisita. Apesar de revelar um lado mais experimental e psicodélico, o disco simplesmente transborda de ataques sonoros, tudo cortesia da guitarra pouquíssima reconhecida e genial de Navarro, a bateria tribal de Perkins e dos riffs de baixo absurdos de Avery. Existe um certo timbre “ensolarado” nas guitarras do álbum em faixas como Ocean Size, mas sem passar perto da mesmice do estilo “feel good” de músicas de praia. É algo literalmente místico. Nothing’s Shocking é , indiscutivelmente, o pronto principal de referência quando o assunto é rock alternativo.

O fim veio com um álbum superior ao primeiro, mas que também selou o fim da banda. Ritual de Lo Habitual (1991) cimentou o sucesso crítico e comercial do quarteto. O álbum começa com essa frase (em espanhol):

“Senhoras e senhores, nós temos mais influência sobre seus filhos que vocês. Mas nós os amamos. Nascidos e criados em Los Angeles, Jane’s Addiction!”

Depois da frase sensacional, o álbum já entra com a excelente e famosa Stop! Da pra imaginar o efeito dessas palavras na cabeça de um pirralho de 12 anos? Eu lembro muito bem, estava andando de skate pela 313 Norte com meu walkman da sony amarelo quando ouvi isso. Lembro que comecei a prestar mais atenção em música e nas letras a partir desse dia. Comecei a sentir uma conecção maior com o artista além das superfícies sonoras. Uma música que mexeu muito com a minha cabeça naquela época foi a bela Three Days, em que Farrell escreve sobre Xiola, uma namorada que faleceu por overdose de heroína.

Infelizmente, todo o louvor épico dessas gravações nunca mais seriam vistas por conta de “tensões internas”. Acho que é o que acontece quando se coloca 4 gênios em um quarto. Como dizem, tudo que é bom, dura o suficiente pra se tornar inesquecível.

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